Vale a pena assinar streaming de filmes e séries, mas depende

Vale a pena assinar streaming de filmes e séries, mas depende

Plataformas de streaming têm preços acessíveis, mas reajuste nos últimos dois anos registra valores, em média, 15% acima da inflação.

Desde que as plataformas de streaming surgiram, o jeito de ver TV mudou. A chance de assistir ao conteúdo que quiser, em qualquer lugar ou horário e a preços mais acessíveis, fez o serviço crescer no mundo. Os streamings foram chegando devagar. O serviço já havia sido avaliado pela PROTESTE no teste de TV por assinaturas. A partir de 2021, ganharam um teste só deles. Desde então, acompanhamos os valores dos principais serviços e constatamos que, apesar de o custo parecer baixo (e é, se comparado aos da TV a cabo), o índice de reajuste chegou a 84% em algumas plataformas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, o Brasil tinha 31,1 milhões de domicílios com acesso a serviço pago de streaming, o correspondente a 43,4% das casas com televisão. É um segmento tão consolidado que, em novembro de 2023, o Senado definiu, por 24 votos a 0, a criação de uma cota mínima para exibição de conteúdos nacionais nessas plataformas. E não para aí. Elas também deverão pagar a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine), que deve ser, no máximo, de 3% sobre a receita bruta anual.

De lá para cá, as opções se multiplicaram, o que fez com que muitos brasileiros migrassem para a tela de computadores, tablets e smartphones. De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em 2015, o país tinha mais de 19,6 milhões de usuários de TV por assinatura. Em agosto de 2023, esse número fechou em 11,2 milhões, uma redução de 43%.

Preços e conteúdos variados

Netflix (28%), Prime Vídeo (18%) e HBO Max (14%) detêm as maiores fatias do mercado. O conteúdo, assim como os preços, variam de acordo com a plataforma. Por isso, recomendamos pesquisar antes de adquirir um ou mais produtos. “O usuário precisa saber o que deseja consumir. Não adianta contratar um serviço e não usufruir dele. Além disso, a compra de mais de um pode acabar pesando no orçamento, mesmo que o valor seja baixo”, comenta Daniel Barros, especialista PROTESTE.

A Netflix chegou em solo brasileiro em 2011 com custo mensal de R$ 15. Ideal para quem gosta de séries, blockbusters e filmes que concorrem em grandes festivais de cinema, hoje seu valor padrão é R$ 39,90, e o Premium,
R$ 55,90. Os preços não sofreram reajuste nos últimos dois anos. “Apesar disso, o serviço continua sendo o mais caro se comparado aos outros”, destaca Daniel.

Mesmo com os aumentos, os valores praticados pelas plataformas permanecem sendo acessíveis ao consumidor, o que pode dar a falsa sensação de que não são altos. Para ajudar o consumidor nessa escolha, fizemos um estudo em que apresentamos os valores, os tipos de contratações e as vantagens e desvantagens do produto. Constatamos em nossas análises que, na maioria dos casos, os reajustes estão em média 15% acima da inflação. O cálculo foi feito com base no índice do IPCA aplicando a inflação do período de janeiro de 2021 a setembro de 2023.

Aumento significativo

Observamos que, em dois anos, alguns sofreram reajuste significativo. O aumento do preço da Apple TV+, por exemplo, chegou a 84% ao saltar de R$ 9,90 para os atuais R$ 21,90 por mês. O mais barato é o Prime Vídeo, da Amazon, que custa R$ 14,90. Porém, esse valor representa crescimento de 51% em relação a 2021, quando era de R$ 9,90 (veja na página 32 se esse reajuste é considerado abusivo). O plano Globoplay + canais ao vivo, que saltou de R$ 42,90 para R$ 49,90, foi o único que registrou índice abaixo da inflação no período.

Plano anual ajuda a poupar

Independentemente do plano escolhido, se quiser (ou precisar) economizar, uma opção é verificar se a plataforma oferece plano anual com desconto. No caso do HBO MAX, indicado para quem, além de séries e filmes, gosta de assistir a campeonatos internacionais de futebol, como a Champions League, o plano anual multitelas custa R$ 239,90. Se a assinatura for mensal, o valor, em um ano, chegará a R$ 418,80, o que representa 43% a mais de gasto. Caso seja fã da NBA, a liga internacional de basquete, a opção é o Prime Vídeo, da Amazon. A assinatura mensal (R$ 14,90) acarreta um custo de R$ 178,80 ao ano. No plano anual, o valor é de R$ 118,80, ou seja, 33% a menos.

Agora, vamos comparar os serviços, e para isso criamos três cenários. No primeiro, a pessoa tem cinco assinaturas de streaming (Netflix padrão, Prime Vídeo, Apple TV+, Disney+ e Globoplay) e gasta R$ 135,50 por mês ou R$ 1.626 ao ano. Contratando para todos o plano anual, o gasto seria de R$ 1.319,10, uma economia de R$ 306,90. Serviços como Prime Vídeo, Disney+ e Globoplay oferecem desconto no plano anual, que, em média, é de 35%. Nesse caso, ao comprar os três serviços, o gasto ficaria em R$ 884,40, pagando mensalmente. Se fosse feita a contratação anual, sairia por R$ 577,50.

No terceiro cenário, que poderia ser um casal com filhos pequenos, a família quer adquirir Netflix padrão e Disney+. O custo, ao ano, seria de R$ 758,70, considerando a contratação anual de um deles. Ao reduzir a quantidade de assinaturas, passando do cenário 1 para o 3, o consumidor pouparia R$ 560,40 ao ano. “Dessa forma, ressaltamos que a compra deve ser feita se realmente estiver de acordo com o perfil do assinante, e não apenas pelo preço convidativo. Ao somar as assinaturas, o valor pode ficar alto”, reforça Daniel.

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