Quais fatores influenciam na qualidade da internet?
Entenda o que significa uma cobertura de internet e como ela impacta na qualidade desse serviço ao redor do Brasil
Em 2023, o Brasil possuía 72,5 milhões de casas com acesso à internet, de acordo com um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, os moradores dessas residências podem experimentar conexões boas ou ruins. Mas como a cobertura influencia a qualidade da internet?
Para compreender essa questão, Daniel Andrade Nunes, professor e consultor técnico da área de Educação Continuada do Inatel Competence Center, explica que a cobertura de internet se refere a uma área geográfica onde um provedor desse serviço consegue entregar um sinal. Assim, essa cobertura é formada por diferentes tecnologias, em que cada uma possui suas vantagens e limitações.
Dentre os principais métodos que podem ser usados na cobertura de internet residencial estão: fibra óptica, via rádio, via satélite e redes celulares. “Quando falamos em ‘ter cobertura’, devemos observar a tecnologia usada, pois ela define a velocidade, a estabilidade e o preço para o consumidor”, destaca.
Cada tecnologia voltada para o provimento de cobertura de internet tem suas características. “No caso do acesso via fibra, temos alta velocidade, baixa latência e estabilidade. Já na cobertura via rádio, baseado em redes Wi-Fi ou redes celulares, a qualidade depende de fatores como a distância e possíveis obstáculos entre o usuário e o ponto de acesso ou torre”, exemplifica.
Ainda, o especialista complementa: “No caso da cobertura via satélite, dependendo do tipo de satélite, temos problemas com a latência elevada. Entretanto, as novas constelações de satélites de baixa órbita estão melhorando isso, mas a tecnologia ainda é mais sensível a condições climáticas severas, como as fortes chuvas que ocorrem com certa frequência no Brasil”.
Vale citar que o termo “latência” se refere ao tempo em que as informações são transferidas de um ponto para outro em uma rede.
Principais direitos do consumidor ao contratar um serviço de cobertura de internet
Quando se trata dos direitos do consumidor ao contratar um serviço de cobertura de internet, Daniel pontua que eles vão além do recebimento do sinal. Assim, o profissional elenca o seguinte:
- Direito à velocidade contratada;
- Direito à estabilidade;
- Direito à transparência na oferta e no contrato com o provedor;
- Direito ao cancelamento;
- Direito ao suporte técnico e prazo de reparo.
Aliás, quando se trata da velocidade da internet, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) destacou em um informativo que prestadoras com mais de 50 mil assinantes devem garantir ao consumidor uma velocidade igual ou maior que 40% do que foi contratado. Por exemplo, se for oferecido um pacote de 100 Mbps (Megabits por segundo), a velocidade disponibilizada não pode ser menor que 40 Mbps.
De acordo com a Anatel, os sites Brasil Banda Larga e o aplicativo ESAQ (Android e IOS) podem ser usados para fazer testes sobre a qualidade das conexões da banda larga fixa (internet que usa cabos) e móvel. As ferramentas também apresentam o histórico e a média de outros resultados obtidos. Mas vale citar que algumas prestadoras são isentas de cobrança de tráfego (uso de dados no meio do teste) e outras não.
Como identificar uma propaganda enganosa sobre velocidade de internet?

Entenda como separar o que é apelo publicitário e o que é uma oferta verdadeira (Foto: Freepik).
Para identificar o que pode configurar uma propaganda enganosa sobre a velocidade da internet, é importante compreender que há um limite técnico para fazer com que o sinal do pacote chegue à casa do consumidor.
“Os limites técnicos existem e dependem da tecnologia empregada”, diz Daniel. Assim, o especialista orienta o consumidor a perguntar ao vendedor qual é a tecnologia que realmente chegará na sua casa. “A resposta a essa pergunta dirá sobre quais promessas de velocidade são realistas e quais são apenas marketing, pois cada tecnologia tem suas limitações de distância, velocidade e latência”.
Além disso, a implementação e instalação de algumas tecnologias em determinadas regiões do país podem enfrentar limites econômicos, como destaca o professor.
Ainda, para separar apelo publicitário das ofertas reais, Daniel explica que propagandas apelativas costumam usar termos vagos e dar ênfases exageradas a um número – como o da velocidade de download –, enquanto omitem dados cruciais como, por exemplo, a latência.
“Já a oferta prática é composta por dados concretos e mensuráveis, como os valores exatos de velocidade de download e de upload, a tecnologia específica que será instalada e as condições comerciais como, por exemplo, o preço”, reforça.
Falhas recorrentes em serviços de telecomunicação
Conforme Daniel, as falhas nos serviços de internet podem ser divididas em três grupos:
- Falhas na infraestrutura externa da casa do usuário;
- Falhas na operação do provedor;
- Problemas dentro da casa do usuário.
No caso da infraestrutura externa, o profissional comenta que as falhas englobam situações como o rompimento físico de cabos por acidentes ou obras, causando um “apagão” na região, bem como o congestionamento da rede do provedor em horários de pico – ou seja, quando a demanda dos clientes supera a capacidade planejada –, resultando em lentidão generalizada para todos os usuários da área.
“O segundo grupo de falhas está relacionado à gestão e aos processos internos do provedor. Aqui, se enquadram os erros de sistema, como quando a empresa configura a conexão com uma velocidade inferior à que o usuário contratou e a ineficiência do suporte técnico, caracterizada pela demora no atendimento ou por não conseguir diagnosticar e resolver determinado problema”, descreve.
Já no terceiro caso, o problema principal está relacionado à rede Wi-Fi, que pode ser prejudicada por um roteador de baixa qualidade, mal posicionamento do aparelho ou interferência das redes dos vizinhos. “Além disso, equipamentos do próprio usuário, como celulares ou notebooks antigos, podem não ser compatíveis com a alta velocidade contratada, criando uma falsa percepção de que a internet está lenta”, acrescenta Daniel.
Quando se trata de falhas que interrompem totalmente os serviços de internet, a Anatel estabelece que é preciso ser feita uma compensação proporcional ao problema. “Por exemplo, ao identificar uma falha massiva, como o rompimento de um cabo de fibra que afetou um determinado bairro, ou uma falha individual na conexão do cliente que dure mais de 30 minutos, o provedor deve calcular o tempo que usuário ficou sem serviço e ressarci-lo”, explica.
O Brasil está avançando no processo de entrega de sinal de internet?
Para Daniel, o Brasil está, sim, avançando na entrega de sinal de internet. “É interessante notar o avanço da fibra óptica. Não foram apenas as grandes operadoras que expandiram suas redes, mas também os pequenos e médios provedores regionais que levaram a fibra óptica para cidades do interior e bairros periféricos que antes não eram atendidos por provedores de grande porte”, comenta.
“Isso democratizou o acesso à internet de qualidade de uma forma que poucos países com nossas dimensões conseguiram fazer. Hoje, ter 300 ou 500 Mega de internet via fibra em uma cidade de médio porte no interior do Brasil é uma realidade comum”.
Por outro lado, o especialista cita que a desigualdade digital no país ainda é um desafio para que a cobertura de internet seja verdadeiramente universal. “Enquanto um morador de um centro urbano pode escolher entre três e quatro provedores de fibra, uma pessoa em uma comunidade rural, em uma área de difícil acesso ou em uma área não urbanizada muitas vezes tem como única opção uma internet a rádio de baixa qualidade, um 4G caro ou, simplesmente não tem acesso a nenhuma opção”.
Já reparou?
A PROTESTE é a maior associação de defesa do consumidor da América Latina e, como parte de seu propósito, está sempre atenta às necessidades do mercado brasileiro. Recentemente, lançamos a campanha Já Reparou?, que visa garantir aos consumidores o Direito de Reparo de seus produtos eletrônicos de forma acessível. A iniciativa busca combater práticas de alguns fabricantes que limitam o reparo de aparelhos ao bloquear o uso de componentes que não sejam originais ou instalados por oficinas credenciadas.
Você pode participar dessa ação e colaborar com essa conquista – acesse o site jareparou.com.br, assine e garanta esse direito. Essa vitória, entre outras coisas, amplia a aquisição de peças e manuais, reduzindo o custo de consertos para o consumidor e incentivando a sustentabilidade.










