Consumidor precisa cuidar da própria privacidade

Consumidor precisa cuidar da própria privacidade

Saiba o que a Lei Geral de Proteção de Dados não cobre e veja dicas de filmes e séries que falam sobre a questão da privacidade no mundo

A contagem regressiva para a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), prevista para maio de 2021, vem sendo olhada de perto pelas empresas brasileiras que precisam se adequar às novas regras sobre políticas de privacidade das pessoas no Brasil. Mas o que significa a chegada dessa nova lei para o consumidor brasileiro? Estaremos mais protegidos? 

A resposta é sim. A LGPD representa uma mudança de filosofia, na qual as empresas terão de pensar em estar em conformidade desde a sua criação, o que é chamado pela lei de privacy by design, ou por meio da revisão de todos os seus processo internos. “Essa lei traz uma mudança de mindset nas empresas”, destaca o especialista em Direito do Consumidor da PROTESTE, Renato Rita.

Mas isso não significa que o cidadão comum deva relaxar na forma como trata seus dados pessoais, tanto físicos, quanto on-line, em especial, quando se trata de rede social. Quem se expõe muito nas redes sociais poderá estar comprometendo a sua própria segurança. Portanto, se você tem o costume de compartilhar informações pessoais no Twitter, Facebook ou Instagram, o destino dos seus dados é de sua total responsabilidade. Inclusive seus dados podem estar sendo coletados sem seu conhecimento, o que pode te deixar totalmente vulnerável a ataques ou a invasões de sua privacidade ou suas contas pessoais.

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Atenção a termos de uso e políticas de privacidade

Uma outra dica importante. Passe a ler os termos de uso e políticas de privacidade para saber quais dados serão coletados e como serão utilizados. Um dos princípios da lei é simplificar esses termos, sem letras pequenas e com linguagem acessível.

Grandes empresas, por exemplo, já estão fazendo esse movimento de simplificação. E isso passará a ser mais comum. Portanto, é preciso ficar atento a esses termos, porque neles estarão o contrato entre usuário e a empresa. Caso não concorde com alguma utilização de seus dados, não entre no site. Essa é a tão comentada vantagem competitiva. Assim, ficará cada vez mais claro para o consumidor quais empresas estão de fato pensando na privacidade de seu consumidores.

Uma outra dica: nada é de graça. Você já viu um aplicativo que diz ser gratuito, no qual você coloca uma foto sua e vê como será sua aparência na velhice? Ou ainda como você seria se tivesse nascido com outro sexo? Muitas das vezes esses aplicativos, anunciados como gratuitos, podem estar na verdade coletando muitas informações. Isso significa dizer que você pode estar “pagando” o acesso com suas preciosas informações pessoais.

O que evitar nas redes sociais:

  • Não clique em links suspeitos. Eles podem ser portas de entrada para o roubo dos seus dados e senhas pessoais;
  • Não poste fotos de nada que possa revelar seus dados pessoais, como documentos de identificação (carteira de motorista, passaporte, título de eleitor, diplomas, entre outros)
  • Não forneça dados bancários ou quaisquer informações financeiras pelas redes sociais;
  • Ao escrever posts opinativos, tome cuidado para não compartilhar informações pessoais que possam ser usadas de forma indevida;
  • Verifique periodicamente as suas configurações de privacidade nas redes sociais;
  • Evite de compartilhar endereços físicos, de e-mail e telefone.

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Outros cuidados com a privacidade:

  • Utilizar senhas seguras, de preferência longas (pelo menos 12 caracteres), alfanuméricas, com variedade entre letras maiúsculas e minúsculas e com caracteres especiais, como pontos de interrogação, de exclamação, sinal de arroba, entre outros;
  • Faça uma revisão das permissões para aplicativos que você usa no seu celular. Muitos deles acabam tendo acesso a microfone, geolocalização e câmera, por exemplo. Assim como os apps, o mesmo vale para extensões de navegadores de internet. Apenas os instale em casos de extrema necessidade;
  • Proteja os aparelhos que você usa – computador, telefone, tablets, entre outros – com senhas ou códigos de acesso. Você nunca sabe na mão de quem esses dispositivos podem parar. E é sempre bom dificultar ao máximo o acesso de terceiros ao conteúdo que você guarda neles;
  • Ao usar redes públicas de Wi-Fi – o ideal é evitá-las -, não compartilhe dados sensíveis, como logins, senhas, dados bancários ou de cartão de crédito.

Com o advento da internet e sua rápida evolução, as políticas de privacidade de dados se tornaram um assunto cada vez mais discutido no mundo. E isso se reflete, por exemplo, no cinema e nas séries. Veja aqui alguns títulos que tratam desse assunto:

Black Mirror (2011)

Uma série britânica que mostra um futuro distópico, pautado especialmente pelos transtornos e perigos da falta de privacidade dos dados pessoais.

Snowden: Herói ou Traidor (2016)

Um thriller dirigido por Oliver Stone que conta a vida de Edward Snowden, um ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA na sigla em inglês), que em 2013 revelou a existência de um sistema de vigilância mundial de comunicações e de internet por parte do governo norte-americano. 

Snowden é interpretado por Joseph Gordon-Levitt na obra, que mostra desde o início de uma carreira promissora até os bastidores da reportagem que denunciou as práticas da NSA. Para fazer as denúncias, Snowden se trancou por oito dias em um quarto de hotel em Hong Kong, onde passou tudo para os jornalistas Laura Poitras e Glenn Greenwald, responsáveis por revelar a história ao mundo.

Citizenfour (2014)

Dois anos antes de o longa de Oliver Stone ser lançado, tudo o que aconteceu entre Snowden e os jornalistas no hotel de Hong Kong foi registrado em vídeo. E enquanto Glenn Greenwald publicava as denúncias no jornal britânico The Guardian, Laura Poitras registrava tudo em um documentário, que no ano seguinte ao seu lançamento foi premiado com o Oscar de sua categoria. Um registro em vídeo de todas das conversas entre Snowden e Glenn, com todas as denúncias que o jornalista publicou em 2013.

Dark Net (2016)

Esta série norte-americana, traduzida no Netflix para “Rede Sombria” explora as aplicações mais sombrias e perigosas do mundo cibernético, criadas e utilizadas por pessoas completamente diferentes e aborda temas como biohacking, realidade virtual, cyber-sequestro, cultos online, guerra digital, entre outras mazelas ligadas à tecnologia. Em especial ao que se passa na chamada dark web, o lado obscuro e praticamente inatingível da internet para o usuário médio. 

LGPD: a versão brasileira do RGPD 

Apesar do adiamento para maio de 2021, todas as empresas brasileiras precisarão ter suas políticas de privacidade em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). 

Caso não se adequarem, a lei prevê multas que podem chegar a R$ 50 milhões ou 2% do faturamento total. Apesar disso, entendemos que o maior prejuízo seja de fato reputacional, já que uma empresa que não tiver o cuidado com os dados de seus clientes enfrentará certamente uma grande desafio para reverter a sua credibilidade.  

Por isso, a PROTESTE lançou no mercado o curso Save the Data. Totalmente online e ministrado por renomados especialistas, o curso vai preparar profissionais interessados em adequar suas empresas à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)

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