É seguro se conectar em Wi-Fi público? Entenda

É seguro se conectar em Wi-Fi público? Entenda

O Wi-Fi público possui algumas características que o torna mais acessível e prático, mas vale a pena tomar alguns cuidados

Ao sair para um espaço público, como praças, parques e terminais de ônibus, você deve usar internet em um aparelho eletrônico – como o celular, notebook ou tablet – para se comunicar, fazer uma pesquisa ou se entreter. Nesse caso, muitos podem pensar que o único meio de se conectar fora de casa é pelo 4G ou 5G. Mas, na verdade, há outra opção: o Wi-Fi público. No entanto, será que essa rede é segura?

O Wi-Fi público é uma rede que qualquer pessoa pode acessar gratuitamente. Por não ter senha para se conectar, muitas pessoas podem entrar na internet ao mesmo tempo. Assim, é possível navegar em sites e redes sociais com diferentes dispositivos.

A cidade de São Paulo, por exemplo, tem cerca de 1.015 pontos de acesso à internet pública, de acordo com um comunicado da prefeitura da capital em junho de 2025. Caso a sua cidade tenha essa rede, vale consultar o site da prefeitura e verificar se em informativos sobre Wi-Fi público também há os locais onde estão os pontos de acesso.

No caso da nota da prefeitura de São Paulo, por exemplo, é possível baixar uma planilha no link “confira a lista completa de todos os pontos Wi-Fi da cidade”, que mostra informações como endereço, bairro e o tipo do local (se é uma praça, biblioteca, centro cultural, entre outros).

Assim, um ponto positivo desse serviço é a sua praticidade (se for disponível no local frequentado). Mas não se pode dizer o mesmo sobre a sua segurança. Isso porque muitas redes públicas são vulneráveis à captura dos dados trafegados por esse meio, como destacado no texto “Wi-Fi Público Riscos e Soluções”.

“O risco de se conectar a uma rede pública é a possibilidade do dispositivo eletrônico sofrer um ataque cibernético, ou seja, uma invasão aos acessos do e-mail, redes sociais e aplicativos de bancos”, diz Gisele Ferreira da Silva, analista de projetos em tecnologia da informação e pós-graduada em governança de tecnologia da informação pela Universidade Cruzeiro do Sul.

De acordo com o portal da IBM (International Business Machines), um ataque cibernético é caracterizado por acessos não autorizados a uma rede para prejudicar desde dados até sistemas de eletrônicos.

Como criminosos digitais exploram o Wi-Fi público para aplicar golpes?

Gisele explica que os autores de crimes cibernéticos pelo Wi-Fi público costumam usar uma plataforma chamada MS-DOS (Microsoft Disk Operating System) – sistema operacional lançado em 1981 e que funciona até os dias atuais.

Mas por que os hackers usam essa plataforma para capturar dados? Esse sistema permite o acesso a outros dispositivos eletrônicos ou redes em nuvens, especialmente quando há muitas pessoas conectadas em um Wi-Fi mais vulnerável – como é o caso da internet pública.

“Por meio dessa tecnologia, é possível fazer uma programação para invadir uma rede e se passar por uma rede verdadeira”, diz Gisele. “Assim, os hackers conseguem fazer a clonagem dessas redes de Wi-Fi para que a pessoa faça um cadastro ao acessar essa rede e ir diretamente para a tela MS-DOS, que possibilita a captura de informações e dados pessoais”.

Quando se trata das redes de Wi-Fi falsas, um artigo no portal do Santander destacou que o hacker costuma criar uma rede com um nome pouco suspeito. Um exemplo é usar o nome do local onde a pessoa está.

O que fazer se você suspeitar que teve o dispositivo invadido?

Saiba como proteger o aparelho de ataques pelo Wi-Fi público (Foto: Freepik).

Saiba como proteger o aparelho de ataques pelo Wi-Fi público (Foto: Freepik).

Agora que você conhece o mecanismo usado para invadir uma rede, vale compreender como suspeitar de um ataque nesse sentido. De acordo com o Serasa, a dica é monitorar os seus dados pessoais e financeiros a todo momento que estiver conectado a um Wi-Fi público.

Isso ajuda a desconfiar de movimentações estranhas com as suas informações no aparelho, como tentativas de acesso não autorizadas. Assim, é possível agir rapidamente.

Então, se houver uma suspeita, o primeiro passo é desconectar a rede Wi-Fi pública do aparelho. “Assim, a pessoa deve apagar as senhas que estão salvas no dispositivo”, orienta Gisele. A especialista também recomenda excluir fotos de cartões de crédito ou imagens de senhas que o usuário possa ter.

“Depois dessa varredura, desinstale algo que você perceba que tenha sido inserido no seu celular”, diz. “Também evite abrir sistemas bancários e redes sociais dentro de 24 horas. Ainda, mude senhas o mais rápido possível, para evitar possíveis fraudes nos seus dados”, complementa.

Dicas de como proteger o seu aparelho

Antes de usar um Wi-Fi público, é importante adotar algumas medidas protetivas nos aparelhos eletrônicos. Nesse caso, Gisele recomenda o seguinte:

  • Não tenha senhas salvas nos dispositivos;
  • Não tenha senhas escritas ou gravadas nos aparelhos;
  • Coloque uma senha de segurança para acessar o dispositivo;
  • Use autenticação em dois fatores, que serve como uma segurança extra para acessar as informações do dispositivo;
  • Instale um antivírus no celular, notebook ou tablet.

Outra dica é sempre manter o sistema do aparelho atualizado, pois isso pode aprimorar a segurança do dispositivo.

VPN: o que é e como pode ser essencial em redes abertas?

A VPN (Virtual Private Network) é um tipo de rede privada que permite ao usuário conectar o seu aparelho em outra rede – como o Wi-Fi público. De acordo com o portal da Microsoft, esse sistema criptografa (codifica) os dados da pessoa e mascara o endereço IP (identificador do dispositivo).

Essa é uma rede mais elaborada, dificultando que o hacker descubra uma informação, já que é preciso testar várias decodificações para destravar uma senha, como explica Gisele.

Vale citar que é possível encontrar diferentes tipos de VPN para adicionar no celular, notebook ou tablet, por exemplo. Há tanto opções gratuitas quanto pagas.

De acordo com o portal da Amazon Web Services (AWS), há diferentes serviços de provedor de VPN. É possível acessar esse tipo de rede por um navegador, por um aplicativo baixado no aparelho ou por um software (ou seja, um programa) que esteja disponível para um dispositivo.

Mas como configurá-los? Na verdade, o ajuste depende das características de cada aparelho, especialmente do seu sistema operacional.

Por exemplo, no caso de dispositivo Windows, a Microsoft recomenda duas opções para configurar uma VPN para uso pessoal:

Opção 1: Visite a Microsoft Store para conferir se há um aplicativo para esse serviço e siga as instruções de configuração.

Opção 2: Acesse o site do serviço VPN e verifique se as configurações de conexão VPN a serem usadas estão listadas neste portal.

Já para aparelhos que usam o sistema Android, a Google destaca o seguinte caminho para adicionar uma VPN:

  • Instale um aplicativo de VPN (que pode ser encontrado na Google Play Store) e siga suas instruções de configuração;
  • Abra as “configurações” do dispositivo;
  • Toque em “rede e internet” e, em seguida, em “VPN”;
  • No canto superior direito, toque em “adicionar”;
  • Siga as orientações que aparecerem e, depois, toque em “salvar”.

Aliás, se o usuário não encontrar o serviço, a Google recomenda que a pessoa pesquise por “VPN” no aparelho. Caso não dê certo, é preciso procurar a ajuda do fabricante do dispositivo.

Agora, no caso de aparelhos que usam o sistema iOS, a Apple orienta que o usuário use as configurações disponíveis em uma VPN para fazer os ajustes necessários e, depois, conectar o dispositivo com essa rede.

Já reparou?

A PROTESTE é a maior associação de defesa do consumidor da América Latina e, como parte de seu propósito, está sempre atenta às necessidades do mercado brasileiro. Recentemente, lançamos a campanha Já Reparou?, que visa garantir aos consumidores o Direito de Reparo de seus produtos eletrônicos de forma acessível. A iniciativa busca combater práticas de alguns fabricantes que limitam o reparo de aparelhos ao bloquear o uso de componentes que não sejam originais ou instalados por oficinas credenciadas.

Você pode participar dessa ação e colaborar com essa conquista – acesse o site jareparou.com.br, assine e garanta esse direito. Essa vitória, entre outras coisas, amplia a aquisição de peças e manuais, reduzindo o custo de consertos para o consumidor e incentivando a sustentabilidade.

Colaborou: Manoela Cardozo.