Antivírus no celular vale a pena?
Entenda como funcionam os antivírus voltados para celulares e o que se atentar antes de instalar o mecanismo de proteção
O antivírus é um programa que busca detectar diferentes tipos de códigos maliciosos que são prejudiciais aos aparelhos eletrônicos. Esse recurso costuma ser bastante usado em computadores, mas esse mecanismo de proteção também existe para celulares. Atualmente, os smartphones são usados desde tarefas de trabalho até transações bancárias, armazenando diversas informações, como dados pessoais. Mas um antivírus no celular é eficiente?
Antes de compreender essa questão, vale entender o cenário de usuários de celular no Brasil. De acordo com um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2023, 87,6% dos brasileiros com 10 anos ou mais possuíam celular. Em 2022, esse índice era de 86,5%. Ainda, uma pesquisa do FGVcia destacou que, em junho de 2025, o país contava com 272 milhões unidades de smartphones, enquanto o número de computadores chegou a 230 milhões.
Diante de índices tão generosos, a chance de ataques também é grande, mas, em 2019, um levantamento da ESET mostrou que 60% de seus usuários não usavam antivírus nos dispositivos móveis. E os dados mostram isso: o roubo de dados em smartphones aumentou 196% em 2024, com mais de 1,2 milhão de ataques direcionados a dispositivos Android, segundo a Kaspersky.
Para compreender melhor como esses programas funcionam, Marcelo Lau, professor e coordenador do MBA em Cibersegurança do Centro Universitário FIAP, explica que um antivírus para celular/smartphone serve para identificar códigos maliciosos e comportamentos que possam ser compreendidos como ameaça ao dispositivo. A partir dessa detecção, o programa busca neutralizar esse código.
“Esse código pode ser um link que direciona para um site criminoso na internet, um arquivo que pode estar em um anexo de uma mensagem eletrônica ou um aplicativo potencialmente malicioso que pode baixar vírus no equipamento (celular ou computador)”, destaca.
“Um antivírus tem a capacidade de avaliar a segurança de conteúdos que estão na memória do dispositivo, além de realizar varreduras periódicas em arquivos contidos no equipamento, sendo que alguns antivírus fazem alertas ao usuário quanto à potencial existência de senhas expostas, avaliando as credenciais de acesso armazenadas no aparelho”, explica.
A proteção de antivírus para celular é eficiente?
Quando se trata da eficiência dos antivírus em celulares, Marcelo comenta que existe um percentual de eficácia elevado quanto à proteção, dependendo do antivírus instalado. “É preciso salientar que mesmo os antivírus gratuitos podem apresentar eficácia satisfatória, quando o usuário faz o uso adequado do software”.
Mas além da sua eficácia, outra dúvida que pode surgir é: como escolher o antivírus mais seguro? Nesse caso, atentar-se à origem do aplicativo de proteção para celular é um dos pontos essenciais. “Infelizmente, há diversos aplicativos em lojas tradicionais que prometem ser um antivírus, mas são programas maliciosos com o intuito de obter dados das vítimas”, alerta Marcelo.
Assim, para quem deseja escolher esse sistema de proteção, o professor orienta:
- Avaliar a reputação do aplicativo na loja, a opinião e os comentários de quem fez o download;
- Identificar a quantidade de pessoas que fizeram o download;
- Identificar a empresa responsável pelo aplicativo.
Esses pontos podem auxiliar os usuários a evitarem a instalação de aplicativos que podem ser prejudiciais ao aparelho. A PROTESTE na Revista 249 traz um teste com as principais marcas de antivírus do mercado mundial – todas possuem a versão para dispositivos móveis. Baixe gratuitamente o app (para android ou IOS) e acesse a matéria na palma da sua mão.
Aliás, quando se trata da proteção fornecida por esses sistemas, Marcelo fala sobre o cenário onde um celular conectado está exposto a ameaças relacionadas, principalmente, ao acesso à internet, mensagens e outros meios de comunicação, como SMS, bem como ao download de aplicativos. Ainda, conteúdos nocivos e outras ameaças podem surgir, até mesmo, em um e-mail.
Antivírus para celular: por que essas proteções não tiveram sucesso entre os usuários?

Especialista explica se um sistema operacional de celular é vulnerável a códigos maliciosos (Foto: Freepik).
Um antivírus para celular funciona da mesma maneira que um antivírus para computadores e notebooks. No entanto, quando se trata de celulares, Marcelo explica que muitos usuários acreditam que o dispositivo não irá infectar, pois acreditam que os sistemas operacionais do aparelho não são passíveis de serem acometidos por esse problema.
Mas ele ressalta: “Todo e qualquer sistema operacional pode ser comprometido por códigos maliciosos”.
Como funciona a instalação de um antivírus no celular?
Conforme Marcelo, a instalação de um antivírus no celular segue um protocolo particular de cada produto de proteção. Mas, no geral, todos buscam ter acesso ao teor integral do dispositivo.
“Fique atento às questões de permissão, que normalmente estão atrelados ao acesso aos dados de armazenamento”, orienta. “Além disso, desconfie de solicitações de permissão excessivas e, em seguida, interrompa a instalação do aplicativo”.
“Os antivírus ainda têm como costume realizar uma varredura completa no dispositivo depois da instalação, permitindo uma visão inicial quanto ao estado de segurança do aparelho. Também é importante lembrar que alguns antivírus irão ofertar produtos e serviços complementares à proteção contra códigos maliciosos. Nesse caso, avalie se essas proteções oferecidas são desejáveis, antes de ativar ou, até mesmo, antes de adquirir esses mecanismos adicionais”, finaliza.
Já reparou?
A PROTESTE é a maior associação de defesa do consumidor da América Latina e, como parte de seu propósito, está sempre atenta às necessidades do mercado brasileiro. Recentemente, lançamos a campanha Já Reparou?, que visa garantir aos consumidores o Direito de Reparo de seus produtos eletrônicos de forma acessível. A iniciativa busca combater práticas de alguns fabricantes que limitam o reparo de aparelhos ao bloquear o uso de componentes que não sejam originais ou instalados por oficinas credenciadas.
Você pode participar dessa ação e colaborar com essa conquista – acesse o site jareparou.com.br, assine e garanta esse direito. Essa vitória, entre outras coisas, amplia a aquisição de peças e manuais, reduzindo o custo de consertos para o consumidor e incentivando a sustentabilidade.










